SPF, PA+, Filtros solares: protege a tua pele com mais conhecimento
Publicado a 23 Maio, 2025
O verão está a chegar e, com ele, a preocupação em escolher o protetor solar ideal! Entre mitos, siglas e promessas, torna-se essencial saber o que realmente protege a nossa pele. Neste artigo, vamos esclarecer tudo o que precisas de saber sobre proteção solar: do significado de SPF e PA+ aos diferentes tipos de filtros presentes nas formulações. Com o apoio da Telma Oliveira, Técnica de Farmácia especializada em Dermocosmética, vais aprender a decifrar os rótulos e a fazer escolhas mais conscientes e eficazes para a tua pele. Este é o momento de escolher chegar a Outubro sem manchas, sem escaldões e com a pele saudável.
Por que razão precisamos de usar protetor solar?
Embora seja essencial para regular o bem-estar do nosso organismo, o sol é o principal responsável pelo fotoenvelhecimento da pele e, sem dúvida, o vilão na história das nossas rugas e flacidez. Do centro do nosso sistema solar chega, até nós, um amplo espectro de radiações com diferentes comprimentos de onda.
Os raios UVB são os responsáveis por provocar queimaduras graves
ao nível da epiderme. Quando desprotegida, a pele desencadeia
uma série de mecanismos de defesa que visam reduzir os danos
causados por esta radiação. Um exemplo é
aumentar a espessura das células
do estrato córneo, originando uma espessa camada de células
mortas que, para além do aspeto menos estético, dificultam a
absorção de ativos nos cosméticos. Outro exemplo é a produção
exacerbada de melanina, que resulta em
hiperpigmentações.
Em comparação, os raios UVA penetram até à derme, provocando
danos contínuos e prolongados nas
biomoléculas constituintes, como é o caso de proteínas
estruturais. A pior parte vem agora: os raios UVA estão sempre
presentes na nossa vida todo o ano, em qualquer estação, e até
janelas atravessam, pelo que usar protetor solar em casa também
é essencial.
Por si só, os raios solares
aumentam a espessura da epiderme,
podem induzir uma
resposta inflamatória descontrolada, destroem fibras de
colagénio e elastina, provocam
alterações na forma e funções de várias células
e, não menos importante, incitam a uma
distribuição anormal de melanina,
que leva a regiões de pigmentação heterogénea. Que mais motivos
precisamos para usar protetor solar diariamente?
O que significam siglas como SPF, PA+ e HEV?
Do inglês “Sun Protection Factor”, o
SPF refere-se ao Fator de
Proteção Solar, que indica o nível de proteção contra os raios
UVB. Já o PA+ “é uma
classificação originária da Ásia, particularmente comum em
protetores solares coreanos e japoneses, mas que começa a
surgir também em embalagens europeias”, explica Telma
Oliveira. “Esta sigla indica o grau de proteção contra os
raios UVA e pode variar de PA+ a PA++++, sendo que PA++++
corresponde, aproximadamente, a uma proteção equivalente a um
terço da proteção UVB de um SPF50.” De forma muito simples,
IV refere-se à radiação
infravermelha e HEV à luz
visível.
Quais as diferenças entre SPF15, SPF30 e SPF50+?
Durante muito tempo acreditava-se que o SPF indicava o tempo de proteção solar - por exemplo, que um protetor com SPF50 protegeria a pele durante mais tempo do que um com SPF15. Atualmente, sabemos que mede a capacidade de proteção contra os raios UVB, já que SPF50 consegue bloquear cerca de 98% dessa radiação. Como explica a Telma, “apesar de a diferença entre o bloqueio ser de apenas 1% entre um SPF30 e um SPF50, recomendo sempre o SPF50, porque oferece maior proteção e, geralmente, cobre um espectro de radiação mais amplo do que os SPF mais baixos”.
Que tipos de filtros solares existem?
Os filtros físicos, como o dióxido
de titânio e o óxido de zinco, são também conhecidos como filtros
minerais e tornaram-se populares por estarem presentes em produtos
destinados a bebés e crianças. Já os
filtros químicos correspondem a um
vasto grupo de moléculas em constante desenvolvimento e
investigação. Atuam através da absorção da radiação UV, que
convertem, posteriormente, em calor (ex.: homosalato, oxibenzona).
Para além dos filtros solares, existe uma categoria de produtos
que oferece proteção extra: os
protetores com cor. Estes são
especialmente benéficos para quem sofre de hiperpigmentação ou
melasma, uma vez que a forma mais eficaz de proteger a pele da
radiação visível é utilizar um produto com óxidos de ferro de
diferentes tonalidades.
Mas atenção — alerta Telma Oliveira —, na maioria das vezes, o
protetor solar com cor não é usado de forma correta, ou seja, não
é aplicada a quantidade adequada, o que compromete seriamente a
proteção e transmite uma falsa sensação de segurança. “Se não for
para aplicar a quantidade certa (2 g/cm²), mais vale usar um protetor sem cor e aplicar maquilhagem por
cima”, aconselha.
Em ambiente de praia, que cuidados extra devemos ter?
A nossa especialista em Dermocosmética reforça que “a proteção
solar não passa apenas pelo uso exclusivo de protetor solar.
Devemos adotar
medidas preventivas no nosso
dia-a-dia, como o uso de chapéu de abas largas, óculos de sol,
procurar sempre a sombra, evitar a exposição direta nas horas de
maior calor, reaplicar a proteção a cada duas horas e usar
vestuário com fator de proteção”.
De facto, tocamos aqui num ponto fulcral e a Telma sublinha que “a
reaplicação do protetor solar é
essencial, sobretudo durante atividades ao ar livre (como
caminhadas ou exercício físico), para quem passa o dia a conduzir
ou está exposto ao sol de forma direta”. Na nossa opinião, a
reaplicação a cada 2 horas é importante e fundamental para manter
a eficácia da proteção ao longo do
dia. O protetor vai perdendo eficácia com o passar das horas,
especialmente se houver transpiração ou contacto com a água.
Mitos e verdades
#1 É preciso usar protetor solar de verão e de inverno, quer
chova ou faça sol.
Verdade. Como explicámos anteriormente, “a radiação UVA está
presente todos os dias do ano”, independentemente da estação ou do
estado do tempo. Até mesmo quem passa o dia em casa está sujeito à
exposição, especialmente junto a janelas ou ecrãs, pelo que a
proteção diária continua a ser essencial.
#2 Com um valor SPF mais elevado não tenho reaplicar com tanta
frequência.
Mito. Um valor de SPF mais alto não significa que a proteção dura
mais tempo. Com o passar das horas, todos os filtros solares
perdem eficácia. Como reforça a especialista, “em contexto de
praia, por exemplo, suamos e vamos à água”, o que compromete a
película protetora.
#3 Tons de pele mais escuros também necessitam de proteção
solar
Verdade. Noutros artigos da Molecular Skin já explicámos que a
melanina é a defesa natural da pele contra a radiação solar, mas
essa proteção não é suficiente por si só. Como sublinha a Telma,
“independentemente do fototipo, todos devemos usar proteção
solar”, não apenas por motivos estéticos, mas também como
prevenção de cancro de pele.
#4 Posso misturar protetor de cor com protetor sem cor
Mito. É fundamental respeitar a estabilidade das formulações.
Quando misturamos diferentes tipos de texturas, podemos
comprometer a eficácia dos filtros. “As moléculas dos filtros
solares são instáveis e, mesmo que sejam da mesma marca, não
devemos misturá-las”, alerta Telma Oliveira. Se quiserem aplicar
maquilhagem convencional após o protetor, “o ideal é escolher uma
base sem filtros de proteção solar, para não interferir com os
filtros já aplicados”.
#5 Posso usar maquilhagem com SPF em vez de protetor
solar
Mito. Maquilhagem com SPF não substitui um protetor solar aplicado
corretamente. “Nunca vai aplicar a quantidade certa de maquilhagem
equivalente à necessária para garantir proteção solar eficaz”.
Como vimos no ponto anterior, a recomendação da Telma é clara:
“devemos aplicar primeiro o protetor solar na quantidade correta e
só depois a maquilhagem”.
#6 Se usar um protetor solar com SPF50, não vou bronzear
Mito. Este talvez seja o comentário mais comum, pelo que vamos
dividir entre os pontos #6 e #7. Segundo a Telma, “usar protetor
solar não impede o bronzeado. Vai sempre haver absorção de
radiação, por isso, bronzeia-se sempre”.
#7 Absorvo vitamina D suficiente mesmo com protetor solar
Verdade. O “protetor solar nunca impede a absorção de vitamina D”
e, mesmo que dificultasse a conversão de energia solar em vitamina
D, temos uma área corporal extensa para apanhar sol sem proteção.
Para além disso “conseguimos suplementar o organismo com vitamina
D, mas não conseguimos curar um cancro de pele com suplementação”.
#8 Protetores solares provocam acne
Mito. É tudo uma questão de escolher o produto adequado e de
formular a rotina de pele no sentido de reduzir a acne. Ainda
complementamos: “uma pele acneica deve escolher produtos não
comedogénicos, caso contrário vão obstruir poros e originar pontos
brancos, negros, etc.”.
#9 Se usar SPF50+ estou mais protegida do que com um
SPF15
Verdade. Demonstramos precisamente isso anteriormente, “mas
depende da quantidade que aplicar”.
#10 Posso usar protetor de corpo no rosto
Depende. A Telma defende que “apesar de ser um produto versátil,
muitas vezes não é recomendado ser aplicado no rosto porque as
necessidades da pele do rosto são diferentes” e adiciona que
“produtos de corpo não passam por testes oftalmológicos”.
Adriana Lemos & Telma Oliveira