Aprende a ler rótulos e a identificar princípios ativos
Publicado a 23 Dezembro, 2024
Certamente já olhaste para um produto de rosto e pensaste “o que faz com que este seja tão bom e o outro não me faça nada?”, ou então “este creme foi tão caro e não noto diferença nenhuma”. A resposta é muito simples: investigação e inovação em princípios ativos. Os ingredientes são os verdadeiros protagonistas do filme Cosmético, a veiculação de ativos é o pessoal figurante e os aromas são os acessórios. Claro está, nunca descredibilizando a produção, direção e edição, que dizem respeito aos restantes ingredientes, embalagem e marca.
Podes olhar para os ativos como a parte do produto que, efetivamente, tem ação no alvo pretendido. São eles que tratam, protegem e melhoram a aparência da pele. Mas com tantos nomes complicados nos rótulos e promessas milagrosas de marketing, pode ser difícil saber o que realmente funciona. Nada temas! Vou guiar-te por este blog com informações que vão ajudar-te a entender o essencial sobre ingredientes e rotinas de skincare, bem como as novidades do mundo da investigação. Pronta(o) para desvendar a ciência por trás dos cuidados de pele? Vamos a isso!
Como identificar ativos num rótulo?
Antigamente liam-se muitos rótulos na casa de banho, mas agora
levamos sempre o telemóvel e perdemos esse hábito. É normal que,
ao olhar para a lista de ingredientes de um cosmético, possas
sentir que estás a decifrar um código.
A primeira regra é verificar a
ordem dos ingredientes. Nos
rótulos, os componentes são listados pela proporção em que são
encontrados, do maior para o menor. Por isso, se encontrares o
ativo que procuras no início da lista, poderá ser um bom
indicativo. Agora que já sabes, vais começar a pegar nos
frascos, a ler os ingredientes e a perceber porque é que alguns
produtos podem custar tão pouco… Para além disso, atenta também
ao seguinte: muitas marcas alegam que o seu creme “corrige rugas
por conter ácido hialurónico” e, se te limitares à leitura da
embalagem, vais confiar, mas, se tirares um minuto para ver os
ingredientes, percebes que, na maior parte das vezes, o ácido
hialurónico está mesmo no
final da lista e, portanto, está
em quantidades tão mínimas que não apresenta resultados
significativamente relevantes para a alegação que fazem.
Ainda que queiras dar mais atenção às primeiras substâncias da
lista, não deixes que te escapem as
fragrâncias que, por norma,
aparecem no final. Podes ter a sorte de ter uma pele bem
robusta, que suporte facilmente 7 ou 8 fragrâncias diferentes,
ou podes ter o azar de ter uma pele sensível ou alguma doença
que não tolere bem um perfume do produto.
Por esta altura deves estar a pensar “como raio vou saber
decifrar o que são fragrâncias e saber identificar aqueles nomes
estranhos que aparecem na lista?”. De seguida dou-te algumas
sugestões de sites e
apps que podes ter para te ajudar na
descrição dos ingredientes:
- na INCI Decoder podes encontrar a lista de compostos de todos os produtos, bem como uma breve descrição dos ingredientes;
- podes, ainda, ter uma app da INCi Beauty onde te basta fazer o scan do produto e terás reviews e lista de ingredientes. Pessoalmente, não sou a maior fã desta opção, mas pode servir bem para ti;
- no website Paula’s Choice encontras uma lista muito intuitiva que, para quem não tem muita prática, poderá funcionar lindamente.
Outro ponto essencial é prestar atenção aos nomes comuns e estruturas químicas . Por exemplo, dependendo do local onde procuras, poderás encontrar nomes como “Provitamin B5” ou “Panthenol” ou, ainda, “Pantothenic acid”, e todos se referem ao mesmo: Pantenol ou derivado. O mesmo acontece com a vitamina C, que vulgarmente aparece como “Ascorbic acid”, se for pura, “Ascorbyl phosphate”, “3-O Ethyl Ascorbic acid” e mais umas quantas formas. Entender estas variações ajuda a identificar se o produto contém a forma mais estável, a mais eficaz ou uma outra formulação que inclua a substância.
Por fim, fica alerta às promessas generalistas e aos ingredientes "da moda". Um produto que anuncia múltiplos benefícios milagrosos pode ser mais marketing do que ciência. Verifica sempre a combinação de ativos e de que forma ela se alinha com as tuas necessidades específicas. Lembra-te: é no rótulo que vale a pena investir um pouco de tempo para fazer escolhas informadas e cuidar bem da tua pele!
Que ativos devo utilizar?
Deves escolher conforme as necessidades da tua pele, que poderás identificar através de uma Consultoria de Pele, da consulta do meu e-book “À Flor da Pele” e dos conteúdos que são publicados no Instagram da Molecular Skin ®.
Vamos criar um cenário em que tens uma pele oleosa, com acne, com hiperpigmentações e já queres corrigir flacidez porque, vamos supor, perdeste 10kg em 2024. Se estivesses a procurar pelos ativos recomendados sozinha, provavelmente deparar-te-ias com ácido salicílico para a acne; ácido glicólico, niacinamida e ácido tranexâmico para manchas; e retinóides e péptidos para flacidez. Ora, parece-me uma receita que agrada a todas essas disfunções, mas o problema é que, todos juntos, causariam uma tremenda irritação na pele, que levaria a reações adversas e uma potencial exacerbação dessas disfunções. Então, tens de fazer escolhas e dividir estes ingredientes na rotina da manhã e da noite, conforme fizer sentido.
Uma dica de ouro que te posso
oferecer é introduzir os ativos gradualmente na tua rotina de
skincare habitual. Ou seja, vamos
presumir que precisas de incluir ácido lático 10%. O melhor que
tens a fazer é permitir que a pele recupere bem de um dia para o
outro, por muito benevolente que seja a substância, por isso
aplica com uma noite de intervalo nos primeiros dias.
Para além disso, nunca deves aplicar mais do que um produto novo
na mesma altura. Repara que, se aplicares um sérum de
niacinamida e outro sérum de ácido kójico e a pele estiver
vermelha ao fim de dez minutos, não vais saber qual foi o
produto responsável! Portanto, usar
novos produtos em simultâneo pode
dar asneira.
Tendência VS Ciência
Nos últimos anos temos visto um crescimento exponencial de
publicidades feitas através de
influencers, o que tem tanto
de bom como de mau. A parte boa é que a marca tem mais
visibilidade e atinge mais
facilmente o consumidor, dando-nos
a conhecer a sua presença no mercado. O aspeto negativo é que já
temos dificuldade em acreditar em alguns
influencers, porque hoje dizem “este
foi o produto que salvou a minha pele” e amanhã já dizem o mesmo
de outro. Ou seja, ficamos num limbo de incerteza que já gera uma
certa insegurança. Felizmente, nem todos os
criadores de conteúdo fazem
publicidades por dinheiro e falam daquilo que acreditam e em
produtos que confiam, de maneira que uma publicidade não tem,
necessariamente, de ser má.
Com isto quero chegar ao tema
Tendência. Quero chegar à parte em
que toda a gente nas redes sociais parece utilizar determinado
produto e começamos a achar que é, de facto, muito bom. Muitas das
vezes não passa de uma excelente
estratégia de marketing por parte
das marcas, e prova disso é um produto muito famoso para rosácea,
que vejo diariamente no Instagram, mas que, se as pessoas tirassem
um minuto para analisar, nunca o colocariam pele de quem tem esta
doença. Mas conversamos daqui a uns meses, quando a fama passar e
a rosácea agravar.
No que toca a Ciência, há pouco falávamos em concentrações, e é importante que não associes uma concentração mais elevada a um resultado melhor. Primeiro porque há ativos que, numa concentração de 0.1% conseguem ser mais potentes do que outros semelhantes a uma concentração de 20%. Vai depender muito daquilo que pretendes e da tua tolerância. Depois, há que considerar que existem marcas que apostam em elevadas concentrações simplesmente para atrair a atenção do consumidor , não por ser algo benéfico. Um excelente exemplo disso é a niacinamida, que é tão eficaz a 2 como a 10%! Não existem diferenças significativas, em termos de ação do composto, quando comparamos resultados entre as duas concentrações, por isso para que serve niacinamida 10%? Apenas para levar o consumidor a pensar que o seu produto a 10% é melhor do que o do concorrente a 2%.
Apreciações Finais
Sabes quando queres fazer arrumações profundas em casa, começas a
abrir todas as gavetas e percebes que há lá tanta coisa que já nem
sabes para onde te deves virar? Provavelmente é assim que te
sentes no final deste artigo! Peço desculpa por isso, mas sinto
que é meu dever informar-te e alertar-te para a bagunça que pode
ser o mundo da cosmética. Vou estar deste lado para te
guiar a ajudar naquilo que puder.
Até à próxima!
Adriana Lemos